terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Buffett e o milagre da multiplicação

Por José Dias


Na última carta enviada aos accionistas, Warren Buffett fez como é habitual uma análise dos investimentos que detém em carteira, especialmente do que correu bem no ano e do que correu menos bem.
É uma análise bastante exaustiva e nela encontramos a argumentação e a fundamentação dos investimentos detidos. Esta análise contém a “receita” do seu sucesso e só por isso vale a pena a leitura.. É no entanto uma análise um pouco extensa, ultrapassando o âmbito deste post.

Saber mais:
http://www.berkshirehathaway.com/letters/2011ltr.pdf

Gostaria de chamar a atenção para as considerações que Buffett faz sobre os investimentos em geral. Sobretudo quando considerou o ouro uma “bolha especulativa” (sobre este tema ver post do dia 17 de Fevereiro - "O ouro é uma bolha especulativa?"

Para Buffett investir é deixar de consumir agora de forma a “ganhar” poder de compra adicional no futuro.

As possibilidade de investimento são várias, mas considera três categorias fundamentais:
  • Investimentos em depósitos. Apesar de serem activos de baixo risco, na verdade poderão ser considerados perigosos. No último século destruíram o poder de compra dos seus detentores. Um dólar em 1965 corresponde agora a 7 dólares. Para se preservar o seu poder de compra, um investidor teria que obter um juro anual de 4.3%!
  • Outra categoria são investimentos não produtivos como o ouro ou a mania das tulipas no século 17. O argumento utilizado é o de que este tipo de investimento vai continuar a ser bastante desejado no futuro. No caso do ouro, receios quanto ao papel moeda justificam a “bolha especulativa” neste activo. Apesar de não ter grande uso industrial ou procriativo (1 onça de ouro agora será sempre uma onça de ouro no futuro), Buffett prossegue com a seguinte analogia. Entre um determinado stock de ouro e o equivalente em terrenos agrícolas nos EUA e acções da Exxon, Buffett escolhe a segunda opção. A justificação prende-se com o facto de daqui a 100 anos, os dividendos gerados pela Exxon e as colheitas dos terrenos agrícolas mais do que compensarão os ganhos obtidos com o ouro.
  • Estas duas primeira categorias ganham popularidade em períodos de aversão ao risco entre os investidores. Mas a preferência de Buffett vai para seguinte categoria: activos produtivos ou as chamadas “vacas leiteiras”. Em períodos inflacionários estes activos conservam o seu poder de compra sem requererem novos gastos em capital. E independentemente da moeda em circulação daqui a 100 anos, as pessoas estarão dispostas a trocar uma unidade do seu factor trabalho por um bem ou serviço produzidos por estas empresas. O seu valor vai ser determinado não pelo meio de troca em circulação mas pela capacidade destes activos em gerar rendimento.
Esta lógica na selecção de investimento por Buffett permitiu-lhe obter uma taxa de rentabilidade anual composta de 19.8% entre 1965 e 2011 versus 9.2% do S&P500 incluindo dividendos. O milagre da taxa composta poderá ser visto de uma outro forma: o ganho obtido por Buffett na sua estratégia foi de 513055% o que compara com os 6397% para o S&P500!


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