terça-feira, 13 de março de 2012

JAPÃO, UM DESASTRE PENDENTE

Por Alexandre Mota


·         O Japão tem o maior rácio de dívida pública em percantagem do PIB das nações desenvolvidas (ACIMA DOS 200%)

·         Historicamente a situação das finanças públicas tem sido contrabalançada com superavits comerciais, mas a situação já se inverteu
 
·         O saldo de conta corrente do Japão regista um deficit
 
·         O declínio da população e o seu envelhecimento colocará ainda mais pressão sobre as já debilitadas finanças públicas japonesas

Conclusão:
A situação actual é insustentável (e não é de hoje) e colocará sobre pressão vendedora o iene e as obrigações japonesas.

Ver video abaixo (Kyle Bass sobre a situação do Japão)



sexta-feira, 9 de março de 2012

PRINT+PAUSE+PRINT+PAUSE

Por Alexandre Mota


O Banco Central Europeu, depois de ter providenciado empréstimos de longo prazo ao sector bancário via LTRO 1 e 2, não está preparado para oferecer mais estímulos sem antes julgar o impacto das suas acções. Entretanto, o ónus é passado para os bancos e governos europeus.

O presidente do BCE, Mario Draghi, reconheceu que a economia europeia não fez mais do que estabilizar. A previsão de inflação foi revista em alta para 2,4% - acima do tecto de 2% do BCE.

O BCE parece satisfeito com o seu trabalho, reclamando os méritos de ter evitado um crash no crédito, estabilizando assim os mercados

Draghi não coloca de parte mais empréstimos (PRINT+PAUSE+PRINT+PAUSE) e declara que os efeitos dos LTRO`s são extremamente complicados e devem ser analisados cuidadosamente. Acrescentou que o aumento do crédito à economia demorará meses a ter efeitos visíveis nas estatísticas oficiais, sugerindo que mais LTRO`s não estão no horizonte imediato do BCE. 

Comentando a carta do presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, que expressou preocupações sobre os riscos que estavam a ser corridos, Draghi referiu que vários membros do conselho de governadores mostraram preocupações semelhantes.

CONCLUSÃO:

Apesar do BCE estar satisfeito com o facto de ter providenciado fundos que os bancos precisavam, o mesmo BCE não está preparado para aumentar o seu balanço subsidiando os bancos ou fazendo o trabalho dos governos. O BCE inundou o mercado de liquidez, a “bola” está agora do lado dos bancos e dos governos.


IMPACTOS:

Com a impressora em modo PAUSE, os índices accionistas estão mais vulneráveis a uma correcção em baixa. Essa correcção já aconteceu nos primeiros 2 dias desta semana. C`est fini? On vera…

Nota: Importante a reacção aos números do emprego nos EUA (13:30)


quarta-feira, 7 de março de 2012

BOLSAS EM QUEDA: OS PORQUÊS


Por Alexandre Mota 


“A sabedoria convencional serve para nos proteger da penosa tarefa de pensar” - John Kenneth Galbraith

Em qualquer site de notícias encontrará, com certeza, uma “análise” que atribui a recente queda dos mercados accionistas a problemas na “negociação com os investidores privados da Grécia”. É verdade e é também a explicação convencional. Conforme tínhamos referido em posts anteriores, este assunto ainda não terminou.

Mas não é só este factor “inesperado” que ensombra os mercados.

Num estudo publicado ontem, a empresa de research “Capital Economics” titula: “FED waiting to see which way the recovery breaks”.

Depois desenvolve:

- FED não deve acrescentar mais estímulos enquanto os números mostrarem que a recuperação está em curso;
- É difícil ao FED vender o QE3 quando a inflação está em torno da sua meta;
- Mais acção é possível (leia-se QE3) mais tarde se a crise na zona euro entrar de novo em erupção

Traduzindo: é exactamente a minha linha de raciocínio nos últimos 2 posts. Para além disso, tal como em 2010, poderemos assistir ao seguinte paradoxo: ver o mercado accionista a reagir bem a dados macro maus e a reagir mal a dados bons.

Porquê?

Porque a principal razão que sustenta os preços das acções em alta é o modo de impressão em curso (o Ctrl+P). Se os dados foram maus (ceteris paribus), a impressora continuará em força. Se os dados forem bons (ceteris paribus), a impressora não deixará de imprimir, mas entrará em modo “pause”.

E na Europa…

Os depósitos junto do BCE atingiram novo máximo histórico. Em que dia? No dia 1 de Março, após o leilão do BCE que resultou num empréstimo a 3 anos à taxa de 1%. Portanto, os bancos pediram dinheiro ao BCE para…depositar no BCE.


terça-feira, 6 de março de 2012

SEGUROS

Por Alexandre Mota


"Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas” – Oscar Wilde.

Volto a usar esta citação porque penso que os mercados financeiros são uma arena em que a capacidade de construir e desconstruir o nosso próprio raciocínio é uma das condições necessárias ao sucesso.

Ontem titulei o meu post com a frase “As bolsas vão cair”. Quem leu o racional da ideia e os posts anteriores não pode encontrar contradição. Quem só leu o título, precisa de alguns acrescentos clarificadores.

Vejamos:
1) Eu penso que o Ctrl+P é o principal motor do bull market
2) Há indícios que o Ctrl+P vai abrandar
3) Sem Ctrl+P o mercado accionista cai
4) Se o mercado accionista cair, virá mais Ctrl+P
5) Mais Ctrl+P implica mais subidas do mercado accionista

Nota: Ctrl+P é um acrónimo para a política acomodatícia dos bancos centrais caracterizada por baixas taxas de juro e estímulos quantitativos.

Conclusão: no fim da história esta temática da impressão monetária é positiva para os mercados accionistas. No entanto, o ciclo das próximas semanas pode apontar noutro sentido. Uma das formas de monetizar esta visão é conciliar um portfolio de posições longas devidamente seleccionadas, com seguros que protejam uma queda do índice geral. Voltarei a este assunto.