quinta-feira, 22 de março de 2012

DÉJÀ VU


Por Alexandre Mota

Sinais preocupantes na economia real

O PMI do sector transformador chinês, relativo ao mês de Março, saiu a 48,1, o quinto mês consecutivo de queda.

O PMI do sector transformador alemão, relativo ao mês de Março, saiu a 48,1 (esperava-se 51), segundo mês consecutivo de queda.

Complacência nas bolsas

O índice VIX estabilizou em torno de 15% (valores de 2007).
O índice VDAX está abaixo de 20% (valores parecidos com 2007 e 2008).

Conclusão: A economia mundial dá sinais de recuo. A China dá sinais de recuo. O mercado acionista está complacente, o que é visível (para quem quer ver para além da espuma da onda bull) no prémio que se paga por seguros de cobertura de risco de baixa de preço que estão a níveis historicamente baixos.

Exemplo: Em meados de Outubro de 2011, quando o medo imperava, se eu quisesse comprar um seguro de protecção total (ou seja, preço de exercício igual ao preço de mercado da altura) que me protegesse de uma baixa de cotação do índice S&P500, durante os 6 meses seguintes, pagaria 9%.
Ontem, a preços de fecho do mercado, o mesmo seguro custaria 4,5%.

Concretizando: comprar uma opção de venda (put) do S&P500 com preço de exercício 1400 e vencimento em Setembro, custa 4,5%

Desde Outubro, o S&P500 subiu 15,70%.

Portanto, o mercado está complacente, a economia está a derrapar, os bancos centrais já imprimiram e podem entrar em modo “pause”….

A sensação de Déjà vu face a 2007, 2010 e 2011 é inegável.

É altura de comprar seguros que cubram quedas nos próximos 6 meses.

Saber mais:

terça-feira, 13 de março de 2012

JAPÃO, UM DESASTRE PENDENTE

Por Alexandre Mota


·         O Japão tem o maior rácio de dívida pública em percantagem do PIB das nações desenvolvidas (ACIMA DOS 200%)

·         Historicamente a situação das finanças públicas tem sido contrabalançada com superavits comerciais, mas a situação já se inverteu
 
·         O saldo de conta corrente do Japão regista um deficit
 
·         O declínio da população e o seu envelhecimento colocará ainda mais pressão sobre as já debilitadas finanças públicas japonesas

Conclusão:
A situação actual é insustentável (e não é de hoje) e colocará sobre pressão vendedora o iene e as obrigações japonesas.

Ver video abaixo (Kyle Bass sobre a situação do Japão)



sexta-feira, 9 de março de 2012

PRINT+PAUSE+PRINT+PAUSE

Por Alexandre Mota


O Banco Central Europeu, depois de ter providenciado empréstimos de longo prazo ao sector bancário via LTRO 1 e 2, não está preparado para oferecer mais estímulos sem antes julgar o impacto das suas acções. Entretanto, o ónus é passado para os bancos e governos europeus.

O presidente do BCE, Mario Draghi, reconheceu que a economia europeia não fez mais do que estabilizar. A previsão de inflação foi revista em alta para 2,4% - acima do tecto de 2% do BCE.

O BCE parece satisfeito com o seu trabalho, reclamando os méritos de ter evitado um crash no crédito, estabilizando assim os mercados

Draghi não coloca de parte mais empréstimos (PRINT+PAUSE+PRINT+PAUSE) e declara que os efeitos dos LTRO`s são extremamente complicados e devem ser analisados cuidadosamente. Acrescentou que o aumento do crédito à economia demorará meses a ter efeitos visíveis nas estatísticas oficiais, sugerindo que mais LTRO`s não estão no horizonte imediato do BCE. 

Comentando a carta do presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, que expressou preocupações sobre os riscos que estavam a ser corridos, Draghi referiu que vários membros do conselho de governadores mostraram preocupações semelhantes.

CONCLUSÃO:

Apesar do BCE estar satisfeito com o facto de ter providenciado fundos que os bancos precisavam, o mesmo BCE não está preparado para aumentar o seu balanço subsidiando os bancos ou fazendo o trabalho dos governos. O BCE inundou o mercado de liquidez, a “bola” está agora do lado dos bancos e dos governos.


IMPACTOS:

Com a impressora em modo PAUSE, os índices accionistas estão mais vulneráveis a uma correcção em baixa. Essa correcção já aconteceu nos primeiros 2 dias desta semana. C`est fini? On vera…

Nota: Importante a reacção aos números do emprego nos EUA (13:30)


quarta-feira, 7 de março de 2012

BOLSAS EM QUEDA: OS PORQUÊS


Por Alexandre Mota 


“A sabedoria convencional serve para nos proteger da penosa tarefa de pensar” - John Kenneth Galbraith

Em qualquer site de notícias encontrará, com certeza, uma “análise” que atribui a recente queda dos mercados accionistas a problemas na “negociação com os investidores privados da Grécia”. É verdade e é também a explicação convencional. Conforme tínhamos referido em posts anteriores, este assunto ainda não terminou.

Mas não é só este factor “inesperado” que ensombra os mercados.

Num estudo publicado ontem, a empresa de research “Capital Economics” titula: “FED waiting to see which way the recovery breaks”.

Depois desenvolve:

- FED não deve acrescentar mais estímulos enquanto os números mostrarem que a recuperação está em curso;
- É difícil ao FED vender o QE3 quando a inflação está em torno da sua meta;
- Mais acção é possível (leia-se QE3) mais tarde se a crise na zona euro entrar de novo em erupção

Traduzindo: é exactamente a minha linha de raciocínio nos últimos 2 posts. Para além disso, tal como em 2010, poderemos assistir ao seguinte paradoxo: ver o mercado accionista a reagir bem a dados macro maus e a reagir mal a dados bons.

Porquê?

Porque a principal razão que sustenta os preços das acções em alta é o modo de impressão em curso (o Ctrl+P). Se os dados foram maus (ceteris paribus), a impressora continuará em força. Se os dados forem bons (ceteris paribus), a impressora não deixará de imprimir, mas entrará em modo “pause”.

E na Europa…

Os depósitos junto do BCE atingiram novo máximo histórico. Em que dia? No dia 1 de Março, após o leilão do BCE que resultou num empréstimo a 3 anos à taxa de 1%. Portanto, os bancos pediram dinheiro ao BCE para…depositar no BCE.