terça-feira, 6 de março de 2012

SEGUROS

Por Alexandre Mota


"Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas” – Oscar Wilde.

Volto a usar esta citação porque penso que os mercados financeiros são uma arena em que a capacidade de construir e desconstruir o nosso próprio raciocínio é uma das condições necessárias ao sucesso.

Ontem titulei o meu post com a frase “As bolsas vão cair”. Quem leu o racional da ideia e os posts anteriores não pode encontrar contradição. Quem só leu o título, precisa de alguns acrescentos clarificadores.

Vejamos:
1) Eu penso que o Ctrl+P é o principal motor do bull market
2) Há indícios que o Ctrl+P vai abrandar
3) Sem Ctrl+P o mercado accionista cai
4) Se o mercado accionista cair, virá mais Ctrl+P
5) Mais Ctrl+P implica mais subidas do mercado accionista

Nota: Ctrl+P é um acrónimo para a política acomodatícia dos bancos centrais caracterizada por baixas taxas de juro e estímulos quantitativos.

Conclusão: no fim da história esta temática da impressão monetária é positiva para os mercados accionistas. No entanto, o ciclo das próximas semanas pode apontar noutro sentido. Uma das formas de monetizar esta visão é conciliar um portfolio de posições longas devidamente seleccionadas, com seguros que protejam uma queda do índice geral. Voltarei a este assunto.

segunda-feira, 5 de março de 2012

AS BOLSAS VÃO CAIR

Por Alexandre Mota


“Common sense is not so common” - Voltaire

O título deste post não é uma previsão, mas sim um exercício de bom senso.

Vejamos:
1 – A principal razão que tem sustentado o mercado accionista em alta é a temática da impressão monetária na qual os principais bancos centrais têm estado totalmente alinhados

2 – O mercado accionista subiu nos últimos meses antecipando/reagindo a esta política acomodatícia

3 – Para manter o programa de estímulos quantitativos, os principais bancos centrais precisam de justificação económica ou de um comportamento negativo dos mercados

4 – Os sinais macro são mistos, mas com o crude wti acima de 100 e o crude brent acima de 120, o receio de inflação pode refrear o ímpeto expansionista

5 – No curto prazo os bancos centrais sentem que cumpriram a sua missão: estabilizaram os mercados de dívida pública e empurraram as acções para cima

6 – É natural que esperem algum tempo para sentir o efeito das suas políticas

Conclusão: sem estímulos, as bolsas podem subir mais um pouco aproveitando o embalo dos últimos meses, mas tenderão a esbarrar em resistências cada vez maiores. Aumenta (e muito) a probabilidade de uma boa correcção em baixa nas próximas semanas/meses.

sexta-feira, 2 de março de 2012

O Seguro do seu Porsche

Por Alexandre Mota


Imagine:

….João é o feliz proprietário de um Porsche. Junto da sua seguradora contratou um seguro contra todos os riscos que garante ressarcimento no caso de acidente. Acidentes acontecem. Por isso, imagine o  acidente de João, sem dolo da sua parte, mas que, para todos os efeitos, transformou o seu Porsche num monte de chapa inútil. Depois de se recompor, João contactou a sua companhia de seguros tendo em vista a justa indemnização pela qual tinha pago um prémio avultado. Resposta da companhia de seguros: “Propomos uma troca. Vamos entregar-lhe um carro em perfeitas condições…um mini clubman de 1978!
Escandalizado, João contacta o Instituto de Seguros de Portugal que reúne um comité de avaliação (onde está presente a seguradora do seu Porsche). O comité decide (espanto!!!) que um mini clubman de 1978 é bem melhor que um monte de lata (outrora Porsche)…

Não sabemos como a história vai terminar, mas provavelmente o desenlace não depende do que é justo mas sim dos interesses em causa e da capacidade de mover as influências certas.
Esta história fictícia ilustra o que se passou relativamente aos Credit Default Swaps da dívida grega. A ISDA (entidade que decide se há ou não um evento de crédito) anunciou que o swap de dívida não representa um evento de crédito mas sim um acordo voluntário. Acontece que a história ainda não terminou e há um conjunto de detentores de obrigações que podem contestar o acordo de troca de dívida, o que levará ao accionamento de cláusulas colectivas e aí sim a declaração de um evento de crédito.

Por agora, se havia dúvidas, já tivemos um bom exemplo da sapiência da ISDA. Quem, depois disto, confiará no mercado de CDS arbitrado pela ISDA?

Ler Mais:

quinta-feira, 1 de março de 2012

DINHEIRO DE PAPEL VS ALTERNATIVAS

Por Alexandre Mota

Ron Paul confronta Ben Bernanke sobre o falhanço da moeda fiduciária ("paper money") e dá um exemplo de dinheiro verdadeiro "real money". Veja qual...