sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PETRÓLEO – UM CISNE NEGRO?

Por Alexandre Mota



No âmbito do produto Jokers concebido pela Golden Broker enviamos uma recomendação para clientes no dia 27 de Janeiro com o seguinte título: “quer investir num evento raro de grande impacto?”
No post de dia 15 de Fevereiro (“O Cisne Negro”) voltamos ao tema.

OS JOKERS

Os JOKERS, tal como estão concebidos, devem representar uma pequena fracção de uma carteira e devem ser investidos maioritariamente em eventos com grande impacto. Na pior das hipóteses o investidor perde a totalidade do montante alocado aos Jokers (por exemplo 2,5% ao ano), mas se um dos cisnes negros preconizados se concretizar, o potencial de ganho é muito significativo. Trata-se de uma forma controlar riscos e potenciar ganhos.  

UM EXCERTO DA IDEIA DE 27 de JANEIRO

Embora não seja propriamente uma surpresa para quem lê jornais, o mercado parece-nos complacente sobre a probabilidade de um evento raro no médio oriente: “o fecho do estreito de Ormuz”. É um evento improvável, mas não tanto como se julga e (mais importante) é um evento que, no caso de ocorrência, pode levar a uma escalada meteórica do preço do crude.
Aposta direccional: subida do preço do crude
Investimento mínimo: cerca de 281 euros
Perda máxima: investimento inicial
Prazo: até 20 de Julho
Potencial: ilimitado (se crude subir 50% até 20 de Julho, a ideia multiplica o capital investido por 7 vezes aproximadamente)
Nota: para mais detalhes enviar email para alexandre.mota@goldenbroker.com





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ALERTA! ALERTA! BOLHAS ESPECULATIVAS

Por Alexandre Mota


Conforme expliquei no primeiro post deste blogue (Ctrl+P em 13 de Fevereiro de 2012) a temática da emissão monetária está a influenciar positivamente o comportamento das acções e das commodities. Quanto? Na minha opinião, quase totalmente.

Esta subida dos mercados accionistas e das commodities não resulta da percepção de que vai ser criada mais riqueza real (maior quantidade de bens e serviços disponíveis). Resulta, isso sim, de uma alocação de mais dinheiro ao mercado de capitais (dinheiro vindo e criado do nada pelos bancos centrais!).
Trata-se, portanto, especulação pura e dura. Antecipando o BID dos bancos centrais, os mercados compraram, compraram…um pouco de tudo. Portanto, estar BULL nos mercados accionistas é acreditar em parte (no meu caso SÓ NISSO) no insuflar duma bolha dos activos reais, de que fazem parte as empresas, terrenos agrícolas e as commodities. Nesta matéria registo como factos que corroboram a tese:
- a elevada correlação entre as commodities e os índices accionistas;
- a alta correlação entre os metais preciosos e os índices accionistas;
- o timing das subidas dos índices accionistas (o S&P estancou perdas e começou a subir depois das várias juras da FED no sentido de manter baixas as taxas de juro e em reacção ao aumento do balanço do banco central (FED); os índices europeus começaram a subir, apesar do problema grego, após o anúncio do LTRO em Dezembro do ano passado);
- os índices accionistas continuam suportados pela expectativa de expansão de balanços por parte dos bancos centrais (QE3, LTRO2, etc)

Estamos perante uma bolha especulativa? Sim, E ENTÃO? Para mim não há um problema se soubermos onde está o ponto fraco da tese da subida. E o ponto fraco é só um: quando a impressora parar, o mercado accionista vai crashar. Se a impressora abrandar, o mercado vai consolidar (eufemismo para uma queda de 10%).

Existe a explicação convencional sobre o que é uma bolha especulativa, acessível em qualquer motor de busca na web, e existe a explicação que eu mais aprecio: “Chamamos Bolha Especulativa a um movimento substancial de preços que não tivemos capacidade de antecipar e investir a tempo.”

Mas há uma alternativa segura? E Se esta bolha rebentar?
Há com certeza. Há um governo do outro lado do Atlântico que paga 2% ao ano durante 10 anos por uma obrigação que não conseguirá pagar a não ser emitindo mais moeda (o dólar).

Isto faz sentido?

Na minha opinião, não faz. É também uma bolha especulativa que vai acabar um dia. Com uma diferença. Esta bolha especulativa engana. Promete rendimentos certos e capital no vencimento. É vista como um porto seguro PORQUE está assente na falácia da perenidade da supremacia americana. Até ao dia em que….
  
P.S: nada melhor que um actor na navegação de bolhas especulativas para explicar “a Bolha da Supremacia Americana” – George Soros



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A HIDRA GREGA

Por Alexandre Mota


A dívida grega cada vez mais se assemelha ao mito de Hidra (o monstro com corpo de Dragão e 9 cabeças de serpente). O primeiro dos 12 trabalhos de Hércules era matar este monstro. No entanto, sempre que Hércules lhe cortava uma cabeça outra aparecia exalando um mau hálito mortal.

Acabou a questão da dívida grega?
No longo prazo coloca-se a questão da sustentabilidade da dívida que na nossa opinião está longe (muito longe) de estar assegurada com este acordo (sem surpresa já que este acordo não é para salvar a Grécia). Para além disso, não entendo que a meta deste acordo (uma dívida sobre o PIB de 120% em 2020) seja um resultado sustentável. Parece-me, isso sim, que não será atingida e, caso seja, não é sustentável. Teremos tempo para voltar e este tema.

A questão mais imediata (surpresa!) não está resolvida. No dia 20 de Março vencem 14,5 biliões de dívida e o acordo com os credores não está garantido (longe disso). Ainda esta semana a Grécia fará uma proposta que tendencialmente será respondia até dia 8/9 de Março. Tendo em conta os adiamentos recentes contemos com ziguezagues e algo de concreto mais em cima da linha de meta.

Mas porque não está resolvido?

Porque os detentores destas obrigações (hedge funds, bancos,…etc) vislumbram a possibilidade de as receber ao par e para tal até é possível que esteja reservado algum dinheiro deste novo acordo.
De qualquer forma, porque razão um detentor de uma obrigação+o seguro (CDS) entraria em acordo com o devedor, o que implicaria a não activação do seguro, quando pode maximizar o seu ganho de duas formas?
- esperando que as obrigações sejam pagas ao par;
Ou
- não entrando em acordo o que implicaria uma activação de um evento de crédito nos CDS

Complicado?

Até agora não. Então entram as cláusulas colectivas (Colective Action Clauses). Uma cláusula colectiva permite que uma reestruturação acordada por uma vasta maioria de credores seja extensível a todos os credores. Este é o busílis da questão: não se sabe se uma minoria de bloqueio pode impedir a activação das CAC`s e também não se sabe se não haverá uma imposição de CAC`s retroactivamente de forma a impô-las a todos os credores. Para complicar ainda mais a questão, não se sabe se a ISDA (entidade que se pronunciará sobre o eventual evento de crédito) vai ser imparcial ou vai defender os interesses da corporação que representa.

A Hidra grega está viva. O hálito é insuportável !
Hércules resolveu o problema queimando as cabeças da serpente em vez de as cortar. A última cabeça foi enterrada com uma enorme pedra…

P.s: abaixo um vídeo com um excerto de uma entrevista ao representante dos privados na reestruturação da dívida grega.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/programmes/newsnight/9698394.stm
 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval

Por Alexandre Mota


“Quem controla a massa monetária do nosso país é senhor da toda a sua indústria e comércio…quando concluirdes que todo o sistema é muito facilmente controlado, de uma forma ou de outra, por muito poucos homens lá no topo, não precisareis que vos digam como se gera inflação ou depressão.”
James Garfield, 20º presidente dos Estados Unidos da América

 Hoje é Carnaval. Que dia tão adequado para aprovar mais um resgate à Grécia!


Este resgate – dizem eles – tornará a dívida grega sustentável.

Porque hoje é Carnaval, em honra do BCE, do FMI, da União Europeia e de todos os ilusionistas, mestres da economia mundial…Rock n Roll

( A letra de “Sympathy for the Devil” poderia ter um “remake” adaptado aos nossos mestres ilusionistas. Por sua vez, a música mistura componentes sambistas. Ora, nada mais adequado ao dia de hoje)

Até à Quaresma!